quinta-feira, 29 de maio de 2008


Parabéns puto!




Mais do que correr com a bola, fintar os adversários dentro das quatro linhas, mais do que encostar a bota no esférico e empurra-la para dentro
das redes da baliza,
e gritar gooloooooooo...

com toda aquela raça e pujança que és capaz de mostrar no relvado mas também no dia-a-dia!

Tal como fazes nas noites à antiga que se prologam até de madrugada pelos estaminés do costume, e lá – já com um “grão na asa” ou pela insistência dos outros, puxas por uma moda ou por um faducho para lembrar que não estamos sós, que somos “gente” de carne e osso, “gente” de sentimento que canta, ri e chora!


No dia 17 de Maio – mereceste mais uma vez ser razão de orgulho para mim, para além de jogador e “fadista”, – és o irmão amigo e companheiro! Abraço-te pela corrida que agora terminas, parabéns pelo percurso que fizeste, pela vereda que tomaste, pelo bom “puto” que te tornaste…

Espero que consigas sempre dar com a vereda, essa que até hoje te tornou o “puto” de carácter e de valor que és…

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Herói épico!

Num dia de semana como outro qualquer, como habitualmente, levantei-me por volta das 7h40m, e sigo até Beja. Durante a viagem, sintonizei o rádio na antena 3 para ouvir o Zé Nunes na Linha Avançada, para dar a minha gargalhada matutina com as graçolas que só ele consegue reproduzir neste tipo de formato de informação desportiva.

Mal cheguei ao trabalho, prontamente o meu colega e amigo Rui questionou-me:
- Então, viste o Maestro? Viste a despedida do Rui Costa?

Confesso, que a questão não me chamou muito à atenção. Talvez por que não quisesse acreditar que fosse já a despedida, parece tão cedo, tão precipitado! Sou um Benfiquista de alma e coração, sou encarnado como o sangue que me corre nas veias. E depois habituei-me a ver o Rui Costa desde tenra idade, a marcar o compasso do jogo e a fazer brilhar os jogadores que giram a sua volta.



A grande diferença do Rui Costa para a maioria dos jogadores é a sua escala de valores e princípios, o berço que teve.


O amor ao clube que representa e à camisola que veste sempre marcou a carreira de Rui Costa. Claro que no Clube da Luz o sentimento é especial e de sempre, é um amor muitas vezes incompreendido… quantas vezes se vê um jogador chorar por marcar um golo contra o clube do coração?


Rui Costa é dos maiores valores desportivos e humanos que passaram pela história do futebol Português, e uma das figuras mais emblemáticas e dos valores incontornáveis que passaram pelo nosso futebol. O número 10 é um exemplo a seguir, um artista apaixonado, um corredor e lutador incansável. Sempre de uma humildade, no sentido em que nunca revelou sinais de arrogância, vedetismo, ou ganância, doença que parece afectar uma grande parte dos jogadores de hoje e mesmo da sua geração!


Faço aqui uma homenagem ao Maestro, um dos maiores corredores que conheço, um corredor com alma, um corredor que é “gente” – gente que já não se encontra assim tão facilmente...


Um grande abraço para o Rui Costa e votos de muito sucesso nesta corrida que agora se avizinha...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Há caricas de minis pelas veredas...

Fui correr esta semana com o meu amigo Nuno. Já fazia algum tempo que não acompanhava com o meu "camarada das corridas" e amigo de infância. Razões de sobra, para manifestar o meu contentamento por ele ter vindo dar umas passadas comigo. Afinal de contas, é sempre melhor correr com um amigo do que sair sozinho pela estrada fora…

Desta forma, a corrida acaba por ser também um ponto de encontro, uma forma de convívio e diversão, que de outra maneira seria quase impossível acontecer dado aos imponderáveis da vida pessoal e profissional de cada um!

Quando me faço a estrada sozinho, e não são poucas as vezes, tenho por companhia a força da vontade, o querer... aquele querer que vem da alma e os meus pensamentos. Mas... também como cenário os campos verdejantes e os demais mantos floridos de variados tons que transformam a nossa planície num festival de cor.

O treino, ou melhor a corrida! E digo corrida, porque não gosto de utilizar a palavra treino para expressar um estado de alma, uma vontade! Como estava a dizer, o treino, até correu bem, ou melhor, correu satisfatoriamente. Tendo em conta as atenuantes circunstâncias que marcaram a dita etapa, não podemos lamentar muito os tempos por nós realizados.

O Nuno sentia-se debilitado, no fim-de-semana tinha bebido umas minis*, mas sem exageros, até porque o rapaz é atinado e goza fama disso pela Vila. E que raio de amigo seria eu vir para aqui enxovalhar os bem afamados 29 anos que o moço com tanto sacrifício conquistou junto das gentes da sua terra.

Minis à parte… Aparentemente, o Nuno ainda tinha outra desculpa, que neste caso parece ter alguma razão de ser. No Domingo, andou labutando que nem um moiro, trocou a caneta e a gravata por umas botas castiças e um fato de operário… e meteu mãos à obra. O resultado: saiu todo partido!

Por isso logo a pronta desculpa, mesmo antes de calçar os ténis, disse:

- Hoje vamos devagarinho, que eu estou todo partido!

Eu, para ser justo, tenho que me confessar, até foi um alívio ouvir aquelas palavras, também tinha bebido umas minis**, e não estava em condições de um treino acelerado ou rápido. Como o meu avô costuma dizer, «Elas não matam mas moem».

No fim da corrida, contabilizamos 12 km e 60 minutos, nada mau para quem andou a espalhar caricas pelas veredas... :-)

* 20 minis, ** 30 minis

terça-feira, 15 de abril de 2008

Há sempre uma primeira vez...


Há sempre uma primeira vez para tudo na vida... E, quando comecei a dar os primeiros passos na corrida, parecia quase ridículo fazê-lo, mas à medida que o "bichinho" da corrida se apoderava de mim e que as endorfinas se libertavam no meu corpo, causando-me uma sensação de prazer... nunca mais parei! Posso confessar que foi uma espécie de amor aos primeiros batimentos cardíacos, posso aqui dizer que foi uma espécie de amor às primeiras passadas que dei com aquelas velhas sapatilhas já rodadas de outros palcos, esses mais iluminados - mais sonoros e muitas vezes mais aliciantes.

É estranho e difícil de explicar a quem não corre, ou a quem nunca correu - e, muito mais a quem nunca praticou desporto -, como a corrida me faz sentir bem, como proporciona um relaxamento agradável após o esforço, como me traz paz de espírito, e, acima de tudo, transforma um corpo saudável numa mente saudável.