quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ultra Trail da Serra de São Mamede

Há menos de um ano atrás aventurei-me na Ultra Maratona – Melides » Tróia, uma experiencia única, um desafio gigante e uma prova duríssima que nos leva aos limites do corpo e da mente.

Depois desta experiência, sempre pensei para mim:

- Este é o meu limite, este é o meu tecto. Os 43 km na praia, ora com maré cheia, ora com maré vazia, ou as duas coisas em simultâneo eram mais do que suficientes para me superar, ou, para eu considerar que atingira os meus próprios limites.

E acreditei com uma fé inabalável durante alguns meses, que esta prova seria suficiente para testar os meus próprios limites.

Não sei ao certo quando começou. Mas, a certa altura uma ideia apoderou-se de mim. Começou apenas como uma ideia, e depois sente-se germinar dentro de nós, a ganhar asas, a tomar dimensão e a crescer. Na minha Alma e no meu Corpo germinava mais um desafio, mais uma prova de grande superação. Agora o sonho era um Ultra Trail!

É quando eu descubro o Ultra Trail da Serra de São Mamede. Mas o UTSM é uma prova de três dígitos! Isso, são 100 km, caramba! Uma prova de 100 km é uma monstruosidade. Quanto mais, uma prova com 100 Km com um desnível positivo com cerca de 3400 m, com partida e chegada a Portalegre após passagem por Reguengo, Alegrete, alto de São Mamede, Apartadura, Porto da Espada, Portagem, Marvão, Castelo de Vide, Carreiras e Cabeço do Mouro, em semiautonomia e 24 h de tempo limite.


Pensei para mim:




- Isto não é prova para um simples corredor de poletão. Isto é demais para as tuas capacidades José Diogo! Mas a ideia transformou-se em vontade, em vontade de fazer um Ultra Trail. E essa vontade era tão forte, que mesmo acordado, já sonhava subir e descer trilhos por esses campos fora.



Nesse dia, liguei para o contacto de quem organizava os treinos livres, # on the trail to UTSM e falei com o simpático e acessível João Carlos Correia, que prontamente me convidou para aparecer e fazer o treino. Tanto eu como o João Correia eramos desconhecidos um para o outro.
Portalegre, dia 12 de Março:


É um treino de 42km na Serra de São Mamede num ritmo calmo, mas que traduz com perfeição as dificuldades e perigos que um Ultra Trail acarreta. Terreno irregular, com muitas pedras soltas e de inclinação acentuada, tanto a subir como a descer. Passagem por ribeiros, vedações, muros de pedra, veredas, descidas técnicas, etc. Dá-me uma boa ideia daquilo que posso esperar na prova do dia 19 de Maio. Fiquei encantado com o espirito da alcateia do Atletismo Clube Portalegre, gente bem-disposta, simpática e cativante. Resumindo, boa gente.


De Portalegre trouxe comigo 2 lições:
- O Trail é fantástico, mas de uma enorme exigência e sacrifício.
- Os amigos estão e fazem-se onde quer que vá e seja eu próprio.
Ourique, dia 19 Março:
Depois de alguns dias em processo de reflexão, decido inscrever-me. Para surpresa de alguns, não é João Carlos?

Portalegre, dia 29 de Abril:








Após convite do casal organizador UTSM, segui viagem dia 28 para não fazer a viagem (250km de ida) de madrugada no dia 29 e assim estar mais fresco para o treino na Serra de São Mamede. Fui recebido em casa do João Carlos e da Maria Vitorina de braços abertos e como se fosse da família. O meu obrigado aos dois. Ganhei amigos em Portalegre.


Faço o meu 2º treino de preparação na Serra de São Mamede, e que sensação maravilhosa, foi “trepar” a enorme e belíssima subida a Marvão pela poterna.

4 de Maio
Recebo um honroso e prestigiante convite do mestre João Carlos Correia para representar o ACP, o qual prontamente aceitei.
Agora tenho uma responsabilidade a dobrar. Pois, tinha decidido fazer esta prova em memória e em homenagem da grande mulher, da minha melhor amiga, – a minha Mãe, que vi partir no dia 23 de Março.
Ourique, dias 13 a 18 de Maio:
O nervoso miudinho aumenta, o nó no estomago é agora maior. Revejo os planos para o dia 19 de Maio, vezes e vezes sem conta. Os 100 Km parecem gigantescos e impossíveis de alcançar. Começo a colocar em causa toda a preparação.
Portalegre, dia 18 de Maio:
20h30 – Chegada a Portalegre. Faço check-in na Mansão Alto Alentejo, bem localizada, confortável, um espaço agradável.
21h15 – Jantar no Restaurante “Leva-me contigo”, com a minha Filipa, o meu Pai e o amigo António Marques. Será escusado dizer, que o meu jantar foi massa, ou melhor, dois pratos de massa. O convívio no jantar serviu para me serenar, a “amena cavaqueira” em que estivemos foi um bom prelúdio do que se iria passar no dia seguinte. O vinho era uma boa “pomada”, um tinto da Herdade Porto da Bouga, Alegrete, que recomendo vivamente.
23h00 – Recolhi ao quarto. Infelizmente não consegui dormir, dei voltas e voltas na cama, mas o sono não queria nada comigo, foi uma noite em branco.


Portalegre, Estádio Eduardo Sousa Lima - Assentos, dia 19 de Maio
03h00 – Depois de um bom duche, pequeno-almoço e de toda a logística (equipamento e alimentação) pronta e preparada, chego ao estádio Eduardo Sousa Lima - Assentos.

03h30 – Câmara de chamada, verificação do material obrigatório: Frontal acesso e com pilhas de reserva, mochila/cinto que suporte no mínimo 1 litro de líquidos, 1000 calorias, cerca de 4 barritas ou equivalente e apito.
Entre as 3h30 e às 04h00 – Várias fotos de equipa, mais fotos e muitos nervos a mistura, ultimam-se os preparativos para a grande Aventura UTSM.

4h00 – PARTIDA!!! Chovia bem e a temperatura era óptima. Que loucura, que emoção, que frenesim é ver e sentir 242 atletas, cada um com o seu próprio objectivo, cada um com os seus próprios desejos e sonhos, de partida para uma aventura de mais 100km.

Na confusão da partida, perdi o contacto com a alcateia, mas rapidamente encontrei umas centenas de metros adiante o amigo e colega de equipa Paulo Rodrigues, o qual acompanhei praticamente a totalidade do percurso. Uma companhia cheia de energia e boa disposição, que me animou, aconselhou e orientou durante a grande jornada. Obrigado Paulo Rodrigues. A estratégia estava delineada: chegar e chegar bem. Com cuidado, cabeça fria e nada de entrar em loucuras no início e em ritmos alucinantes. Alimentação e hidratação cuidada e reforçada em cada PAC.
Como o Paulo dizia:
- Não é como começa, é como acaba que interessa.

PAC 1 Viveiro Florestal 10km – A chuva continua, o andamento está vivo, talvez vivo demais. Mas por agora, estamos bem. Dorsal rubricado e siga para Bingo. Pelo caminho junta-se ao grupo Neville Suzman, um Australiano radicado em Portugal, e António Nunes do CRP Ribafria.
E se a memória não me atraiçoa, antes de chegar ao Alegrete, o João Paulo Albuquerque, mais um membro da alcateia, reforça o grupo e a presença do ACP.
Tanto o Paulo Rodrigues como João Paulo Albuquerque revelaram-se uns companheiros de viagem fantásticos, com enorme espírito de camaradagem, generosidade e vitais para o sucesso desta empresa.
Fazer 100km é uma tarefa enorme, agora imaginem, se forem sozinhos!?


PAC 2 Alegrete – 17km – Recordo-me que em Alegrete, para além do habitual controlo, “atasquei-me” no banquete instalado no coreto, foi um bocadinho de tudo, banana, marmelada, laranja, água e isotónico. Por esta altura, estava fresco, com força e animado pelo grupo que acompanhava, mas os 100km, ainda pareciam tão distantes.

O Paulo Rodrigues foi o animador de serviço, e em muito contribui para a boa disposição do grupo. Mas logo foi avisando, daqui para a frente, é para ir com calma, pois temos à subida às Antenas, e daqui até lá é quase sempre a subir. O sol já nasceu, e está um dia fresco, um dia perfeito para a prática desportiva.
PAC 3 Antenas – 30km – Ao aproximarmo-nos da subida às Antenas, vamo-nos apercebendo do que nos espera, imaginem uma “parede” de terra e pedras soltas sem fim, com o relevo acidentado e traiçoeiro como uma raposa. É com enorme dificuldade, mesmo a caminhar que se faz este prémio de montanha, digno de qualquer prova, seja onde for. Mas, também é aqui, que se separa o trigo do joio. E lá fui eu, e os meus companheiros, metro a metro, passo a passo, uma conquista por cada metro, uma recompensa por cada passo. Confesso que tive uma pequena (boa inveja) dos “titulares” dos bastões de trail, naquela infernal subida. Só mais uma curiosidade, as mãos incharam-me, bem como aos restantes. Isto deve-se ao facto de fazermos a subida a caminhar, e levarmos as mãos numa posição baixa, limitando assim o fluxo sanguíneo.
No fim da subida às Antenas, a maior recompensa: mais um festim para o estômago e para a alma. Comida, aplausos, amigos, e a minha Filipa e o meu José a torcerem por mim. Abasteci de comida e de carinho, e segui caminho com o Paulo e o João Paulo e os restantes.
Se a subida foi penosa, o “single track” não lhe ficou atrás, uma descida técnica, muito acidentada, repleta de surpresas.
PAC 4 Apartadura – 38 Km – A boa disposição impera, o entusiasmo é a marca neste PAC 4. E embora confiantes e animados, sabíamos que ainda faltava um longo caminho pela frente. A paisagem é bela, e há que saber também desfrutar o passeio e o que nos rodeia. Controlo e abastecimento e toca a mexer a pernas.
PAC 5 Porto da Espada – 48 Km – Mais um posto de controlo e alimentação. Por motivos logísticos dos próprios, senti aqui a falta do meu José, da minha Filipa e do amigo António que me vinham acompanhar desde a partida, nem sei explicar o quão importante foi a presença deles em cada PAC que passava com palavras de encorajamento que me enchiam de força de novo. Era como alimento para mim, directo para o músculo da Alma. Falando de alimento, por esta altura e de forma intervalada já teria ingerido uns 3 géis para suplemento alimentar. Pois, um esforço destes não se quer só com banana, marmelada e biscoitos.
Aproxima-se outro prémio de montanha (Marvão), este talvez menos exigente, menos forte, mas as pernas já tem mais de 50km.


PAC 6 Marvão – 58 km – Atrevo-me a dizer, que a “escalada” a Marvão foi difícil, terrível e penosa. O caminho de pedra, a calçada íngreme e escorregadia partiu-me as pernas, massacrou-me. Os mais de 50km nas pernas, já fazem a diferença. Depois da calçada, seguimos por um curto caminho de terra, até encontramos uma espécie de pequena vegetação baixa em redor do Castelo de Marvão e uma subida soberba, mas de grande pendente e dificuldade, até entrarmos em Marvão pela poterna.
Devo confessar que Marvão é simplesmente magnífico, e serviu de porta de entrada a um dos locais emblemáticos do UTSM seja simplesmente espectacular.
O amigo Javier Garcia, um espanhol de Cáceres que havia conhecido na segunda deslocação a Portalegre, apanhou-nos na subida de Marvão, mesmo na entrada da poterna. E se a memória não me falha, será sensivelmente por esta altura que se juntam ao grupo o Luís e o Inácio Serrazina, ambos do CRP Ribafria e o Sérgio Jerónimo do Atlético Clube de São Mamede.

Chegamos a Marvão às 11h50. E eu trazia o apetite de um “urso”, sabia que havia um prato quente e a possibilidade de duche e mudança de roupa para quem o tivesse previamente requisitado. Mas eu e os camaradas desta empresa, só pensávamos na sopa quente de legumes. Confesso, que não me lembro de ter comido uma sopa tão boa, tão revigorante, energética e espiritual como esta, repeti a dose e troquei para uns ténis mais macios, pois os Salomon estavam a massacrar-me os metatarsos. Volto a abastecer de alimento e sólido e liquido.
E num evento como este, um grande momento é ver caras amigas e familiares a apoiar-nos, o UTSM permite muito contacto com o público e é tão encorajador ouvir e sentir os nossos quando as pernas começam a falhar.
Nota: noto pela primeira vez, um erro na distância medida, o meu Garmin 305, regista um pouco mais de 60km em vez dos 58km anunciados.

PAC 7 – Carreiras – 67km – A descida de Marvão é complicada, a força já não é a mesma. Mas a mudança de ténis revela-se uma decisão acertada. Sinto-me mais fresco, mais leve e mais aliviado das dores nos pés. Foi uma “etapa” relativamente simples sem nada de relevante a registar. Nesta altura, disse para mim. Agora é até ao fim, nem que acabe de gatinhas. Abastecimento em mais um PAC simpático e bem servido. Mais um abraço aos meus, nesta altura, julgo que eles estariam mais cansados do que eu.

PAC 8 – Castelo de Vide – 74km – Adorei chegar a este PAC. Em primeiro lugar porque da Ermida, tem-se uma vista absolutamente maravilhosa sobre Castelo de Vide, depois porque adoro “rapel”, mas acima de tudo porque estava mais perto do meu objectivo, só já faltavam 26km. Mas nesta altura, já o meu Garmin registava mais de 77km, onde supostamente deveriam ser 74km.
Já o disse e volto a dizer, gostei particularmente do espirito do grupo ao qual pertencia, animado, motivado, nobre, com um enorme espírito de camaradagem e generosidade que se tornaram sem sobra de dúvidas vitais para o sucesso desta empresa. Sinto-me bastante honrado por ter convivido com estas pessoas numa prova assim. Mais uma vez, destaco a importância das minhas pessoas, sempre com a sua presença e mensagem de força.



PAC 9 – Convento da Provença – 88km – Foi onde sofri mais para chegar, onde a “etapa” parecia interminável e esgotante. O calor, a reserva de água esgotada, a distância abismal da dita “etapa”, e o cansaço acumulado fizeram o resto. Com todas as dificuldades, não desistimos e fizemos por tudo para chegar ao PAC 9, mais uma vez fomos um excelente exemplo de luta, desafio e perseverança.


Chegados ao Convento da Provença, supostamente aos 88km, mas os companheiros cujo relógio gps ainda tinha bateria falavam em cerca de 92 km. O importante agora era abastecer, hidratar e preparar-nos para o assalto-final. Senti-me derreado, e a palavra é mesmo essa. Estava exausto!
Mas, o objectivo e a meta ainda estão a cerca de 12km. E foi para isso que eu cá vim, para chegar ao fim, para ser um Finisher!

Despeço-me pela última vez dos meus e sigo caminho. Por esta altura, é difícil sentir alguma coisa, ou melhor, dói tudo: pés, dedos dos pés, braços, pernas, mãos, ancas, costas, ombros, etc. E já tudo fazia mal, ou eram as meias, ou era a mochila, ou a camisola. Ou seja, à partir de uma certa altura tudo nos faz mal, tudo é um peso imenso e faz diferença.






E lá fomos nós, a procura do caminho para Portalegre, do caminho para a meta no Estádio Eduardo Sousa Lima. Penosamente, fomos alternando entre uma corrida ligeira e uma caminhada nas subidas. Estes 12km pareciam não ter fim, até que avistamos Portalegre. E aí, tudo se modificou, uma luvada de ar fresco e de energia tomaram conta de mim.


A lembrança da minha mãe que me acompanhou do início até ao fim, toma agora conta de mim e dá-me uma força inexplicável, as minhas pernas correm agora, correm como se tivesse em passo de Maratona, ou de Meia Maratona. Quando antes apenas alternava entre uma corrida ligeira e uma caminhada. Este boost de energia espiritual, oriundos da melhor recordação da minha vida, da melhor e da bela amiga, do doce sabor da maternidade, da sábia e boa conselheira, - da melhor mãe do mundo levam-me até a meta como se fosse mais uma vez embalado no seu colo.

E assim, cheguei à meta no estádio Eduardo Sousa Lima. Envolto em lágrimas, agarro-me aos meus e fico feliz por ter terminado, e por ter homenageado a minha mãe. Mas suponho que nem esta prova é suficientemente grande para espantar todos os meus fantasmas.



Obrigado ao meu pai, José Raul!
Obrigado a minha namorada, Filipa!
Obrigado ao Marcelo!
Obrigado ao António Marques!
Obrigado ao João Carlos e a Maria Vitorina!
Obrigado ao Paulo Rodrigues e ao João Paulo Albuquerque!
Obrigado a prima Inês, Filipa e Afonso!
Obrigado a Ângela e ao Tiago!






















terça-feira, 10 de janeiro de 2012

São Silvestre de Lisboa




A origem da corrida de São Silvestre recebeu a designação como forma de homenagem a São Silvestre que foi papa e governou a Igreja de 314 a 355 d.C. Geralmente, a data da corrida coincide com o dia da morte e canonização do santo do mesmo nome (31 de Dezembro). Em França, o registo diz-nos que as primeiras corridas eram realizadas á noite com a utilização de tochas.


Lisboa, 31 de Dezembro de 2011


Uma tarde dourada e de temperatura amena brindou a 4ª edição da São Silvestre de Lisboa e a minha primeira participação nesta grande prova. A organização está de parabéns, sem confusões e tudo no seu lugar. O percurso é óptimo, mas a subida da Av. da Liberdade e do Marquês até ao Saldanha, pede mais pernas e pulmões, quando estes já não respondem!

Depois de uma noite em boa companhia e regada também, pensei para mim, vou cumprir calendário e divertir-me. Fui correr sem pressão para fazer o tempo X ou Y, ia apenas apreciar a beleza da cidade de Lisboa. Já no aquecimento, reparo que o meu Garmin 305 está sem carga. Tudo contra, mas com aquela vontade de sempre. Já na partida, consigo colocar-me a cerca de 8/10 metros do marcador de passo dos 40 minutos.


Foto de origem Facebookiana

Dá-se a partida e partir daqui tudo se processa muito rápido, sem relógio no pulso para controlar o tempo, o 1º e 2º km chegam depressa, depois o 3º e o 4 º pesam mais, no 5º tinha menos de 20 minutos de corrida e fui correndo até chegar de novo aos Restauradores. A Av. foi complicada, pediu mais pernas, mais pulmões, mais vontade, mais sofrimento. O marcador de passo dos 40 minutos alcançou-me já quase no Saldanha. Mas eu não o larguei, não o podia largar, "meti-me na roda", colei-me até ao retorno e até chegar de novo ao Marquês e daí para a frente, soltei a "fera" e quando passei a linha da meta tinha feito 39:48 de Tempo Oficial e 39:43 de Tempo de Chip.

E assim, consegui bater o recorde pessoal e baixar dos 40 minutos, fazendo tudo ao contrário do que os livros, mestres e o bom senso ensinam e recomendam.


Boas corridas para 2012

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um Alentejano na Maratona do Porto

Foto Runporto
Há 4 meses atrás aventurei-me na Ultra Maratona Atlântica – Melides » Tróia, uma experiência única, um desafio gigante e uma prova duríssima que nos leva até aos limites do corpo e da mente.
Mais do que os 43 quilómetros, a dificuldade e a magia desta prova tem um denominador comum: a praia. Uma praia enorme, bela e perigosa. E tal como uma mulher fatal, a praia deslumbra-nos com a sua beleza e encanto e ao mesmo tempo ilude e atrai-nos para um pântano sem retorno.


E ficou cá o bichinho das longas distâncias, andei um mês a sonhar acordado com as praias de Melides e Tróia.
Dias mais tarde, percebi que sou (mais) feliz quando corro, principalmente provas de longa distância. Percebi que correr para mim, é mais do que simples desporto ou um passatempo, correr é uma forma de estar na vida e uma paixão.

Dias depois a seguir a Ultra Maratona Atlântica, o meu bom amigo Luís Parro, lançou o desafio para o Porto. Eu prontamente, aceitei o desafio.
Inscrevi-me na Maratona do Porto. Isto é fácil, é apenas uma inscrição on-line, pagar e já está. A preparação para a maratona, até foi relativamente fácil, já tinha alguns treinos de longa distância, uma experiência positiva e muita vontade.

E tal como havia prometido a semana passada, fui para o Porto a procura da segunda prova de distância igual ou superior aos 42.195 km. Na bagagem levei: camisolas, calções, meias, um impermeável, dois pares de sapatilhas, vontade, muita vontade, motivação e treinos q.b., pelo caminho, abasteci em Lisboa mais motivação, força, carinho e uma companhia como não há igual. O apoio da Filipa foi inexcedível, a sua força levaram-me mais longe e dão-me tranquilidade para atingir os meus objectivos.

Obrigado Filipa!

Os 500 quilómetros que separam Ourique do Porto, fizeram-se bem na ida e revelariam-se muito penosos de cumprir na volta, mais por culpa dos 42.195 km que corri nas ruas da Cidade Invicta.

Chegado a capital do norte, segui imediatamente para o hotel. E daí para o Centro de Congressos da Alfandega do Porto, onde se realizou este ano a Expo Maratona. Levantei o kit de participante, e deixem-me dizer, que belo e apetrechado kit: mochila, t-shirt, boné, garrafa de vinho do Porto, etc.
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Dia 6 de Novembro de 2011, dia da Maratona do Porto.

06h55: Levantei-me, tomei duche e equipei-me para prova.

07h25: Pequeno-almoço no hotel: torradas com doce, bananas, café, pão com fiambre e um bolo seco.

08h10: Dirigi-me para a partida, junto ao Palácio de Cristal.
(nota: fazia-se sentir um frio que chegava aos ossos)

8h30: Ligeiro aquecimento e posicionamento na cabeceira da partida.



8h50: Nos instantes que antecedem a partida, pensam-se muitas coisas, mas acima de tudo queremos partir o mais depressa possível. Decido nessa altura, em concordância com a estratégia delineada anteriormente, seguir o marcador de ritmo das 3h30, ou seja atletas com balões coloridos onde se identificam os ritmos que cada qual pode seguir, consoante as suas possibilidades – 3h15m, 3h30m ou 3h45m, etc.



 9h00: PARTIDA!!!

Km 1 – Encontrei logo nas primeiras centenas de metros, o Luís e a Fernanda Parro, o Luís ia para a Maratona, a Fernanda para os 14km. E acabamos os dois por seguir o mesmo marcador de ritmo, fazer companhia e dar força um ao outro.

Km 2.5 – Passagem pelo estádio do Bessa.

Km 5 – Na descida da Av. Da Boavista, passo tranquilo a menos de 5´por minuto.



Km 10 – Foi na Av. do Brasil que me aconteceu algo que não deveria acontecer a ninguém, subitamente tive que ir regar as plantas. Já não dava para aguentar mais, perdi uns segundos e posições. 



Km 15 – A ponte Dom Luís é absolutamente maravilhosa. É de uma beleza arquitectónica que não se vê todos os dias. Segundo o que contam, a ponte foi inaugurada em 1886 (tabuleiro superior) e 1887 (tabuleiro inferior) e, devido à ausência do Rei D. Luís I na inauguração, a população do Porto decidiu, em resposta ao acto desrespeitoso, retirar o "Dom" do respectivo nome.

Km  21 – Check Point n.º 1 – 21 km: 1:45:53. Com este tempo, o objectivo das 3h30 estava seguro.

Km 25 – Decisão tardia de abandonar o marcador de ritmo das 3h30 e seguir para a frente. Desde o início da prova que vinha a sentir-me bem, mas não quis arriscar demasiado com medo do muro dos 32 km, ainda assim fui a tempo de recuperar algum tempo e posições.

Km 30 – Chek Point n.º 2 – 30 km: 2:29:13.
O segundo Check Point deu razão a minha tomada de decisão de ir para a frente, pois já estava a ganhar tempo. Segui forte, determinado e seguro.

Km 32.5 – Julgo que em todos os abastecimentos, comi ou bebi qualquer coisa.
O muro dos 32 km não apareceu e eu continuava a sentir-me bem e fresco.

Km 35 e 37,5 – Foi onde senti mais o calor e onde senti necessidade de proteger-me do vento.

Km 40 – Dou o tudo por tudo até a meta, sinto-me bem e começo a pensar que podia ter feito uma melhor prova, caso tivesse saído mais cedo do marcador de ritmo das 3h30.

Km 42,195 – Tempo oficial: 3:28:42 – Tempo de Chip: 3:28:28 – Classificação Geral: 452 – Classificação Escalão 84.




Foi a minha primeira Maratona em estrada, e não há pincéis que descrevam aquele soberbo quadro daqueles momentos bem passados a correr os 42.195 km da Maratona do Porto. Uma cidade linda, uma prova muito bem organizada, num ambiente fantástico. 



E foi com uma felicidade enorme que cheguei a meta da Maratona do Porto. Obrigado mãe, obrigado Filipa.








segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um treino sobre rodas...

Depois de mais um treino longo de 32,50 km que correu sobre rodas, ou melhor, sobre pernas, – a Cidade Invicta que se prepare, pois aqui vou eu, das profundezas do meu Alentejo correr a Maratona do Porto. 

 Numa altura em que a parte mais significativa do treino e da preparação já está feita, é tempo de começar a gerir a intensidade e a carga do treino, para evitar uma surpresa desagradável, como uma lesão. Até Domingo, ainda temos alguma acção, mas depois só descanso activo.



 Boas corridas,

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Treino de preparação para a Maratona do Porto: 28,05 Km

A inscrição está feita. Espero que seja em boa hora, e que no dia 6 de Novembro possa desfrutar de todo o esplendor da Cidade Invicta. 
Ontem fiz mais um treino, um treino longo de 28,05 km. A minha preparação corre dentro do que havia delineado e sinto-me confiante para fazer uma boa prova. O importante é correr a Maratona do Porto e saber tirar toda aquela satisfação que a corrida nos proporciona e chegar à meta, ir chegando... devagar ou mais depressa, mas ir chegando, ir chegando sempre!

Mas, claro que quero superar-me, qual é o atleta, ou mesmo o mais comum dos mortais que não quer?
Quero fazer o melhor tempo possível. E essa luta é só minha e de mais ninguém.






A lei da estrada serve para mim e para quem lê, serve para qualquer pessoa e para as empresas: só chega  aos lugares cimeiros quem se esforça. Dito assim parece fácil, mas na prática está longe de o ser. A vontade de desistir atrapalha quem corre uma maratona ou mesmo 10km, com os angustiados o-que-é-que-eu-estou-aqui-a-fazer, não-fui-feito-para-isto, vou-voltar-para-trás.
Há que ter calma, disciplina, trabalho e persistência. Quem desiste, não sobrevive muito tempo.
Sem paixão, honestidade e trabalho – os seus três pilares – ninguém vence. É por isso que a corrida/atletismo é um desporto justo.


 













Este é o resultado de mais um treino, com paixão, honestidade e trabalho:

- 28,05 Km de prazer e empenho, com um tempo de 02:26:19 e 11,5km/h de velocidade média.
Um belíssimo treino pelo terreno acidentado da freguesia de Ourique que me permite estar mais confiante para as veredas da Maratona do Porto. Foi um treino solitário, não houve que me acompanhasse. Treinar em grupo é mais fácil, torna-se mais leve, pois o tempo (parece) passar mais depressa. Logo estes treinos testam e treinam, acima de tudo uma vontade férrea e a motivação. E mais do que somente a resistência, treinam a resistência do carácter e da personalidade de quem corre.

Tenho observado e registado que a corrida para muitos é algo estranho e indecifrável, pois, não entendem a razão pela qual alguém corre e gosta de correr. Pois são muitas as vezes que me perguntam:
- Porque corres? Ou então, porque queres fazer uma maratona?

Assim, gostaria apenas de partilhar uma frase feita que ilustra bem esta situação:

Alguém pergunta a um alpinista porque razão ele tem que escalar a montanha.
Ele simplesmente responde:
"Se tens que fazer a pergunta, seguramente não vais compreender a resposta".

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

1ª Corrida da Água - Monsanto, 02 de Outubro de 2011

Adoro correr. Poderia tentar explicar e dar inúmeras razões para o fazer (correr). Mas, na verdade é um prazer que só quem corre, consegue compreender. Porque não se explica, não se entende, sente-se.

Este ano fiz 3 corridas, gostaria de ter feito 3 ou 4 vezes mais, mas não é fácil. Mas quando vou, vou e estou de corpo e alma.

No passado dia 2 de Outubro, realizou-se a 1ª Corrida da Água em Monsanto, e eu estive presente.

A organização da Xistarca está de parabéns, julgo ser uma prova que tem razões mais que suficientes para se implantar e crescer neste nosso “mercado” de corridas, disso foram indicadores, a excelente adesão com 888 atletas chegados à meta e a sua satisfação. Num Outono atípico, o sol e o calor foram as figuras mais marcantes.

Após a chegada ao Parque do Calhau, em Monsanto, dirigi-me imediatamente à tenda onde procedia a entrega de dorsais. No envelope, o dorsal, o chip de controlo e alfinetes para colocar o dorsal.

Sentei-me no chão para colocar o chip de controlo nas sapatilhas. Faço o aquecimento, cerca de 20 minutos e coloco-me na linha de partida. Mas a partida tardou quase 9 minutos depois do horário previsto. E BUMMM!! Ou melhor, não houve o habitual tiro de partida, mas deu-se a partida.

Julgo ter exagerado nos primeiros kms, como tudo na vida, acabei por pagar mais à frente. Negligenciei o altímetro da prova, que embora não fosse acentuado, num ritmo inicial forte, desgasta muito. Desvalorizei as subidas iniciais, e isso reflectiu-se no meu rendimento. Das subidas de Monsanto, desci até Benfica e daí seguimos até Campolide, onde surgiram mais duas barreiras enormes para dar cabo do ritmo, das pernas e do tempo que poderia ter realizado. A atracção principal desta prova, foi a passagem pelo aqueduto das Águas Livres, acabei por não aproveitar a paisagem envolvente que dali se avista, não aproveitei a magnifica construção, pois o meu coração e a minha cabeça estavam concentrados em chegar. E ao fim de 42:09 e no 39º lugar, cheguei à Meta.

Cheguei feliz pela conclusão de mais uma prova e por quem me acompanhou e esperava.

Obrigado Filipa.

Para o ano, hei-de cá voltar! Parabéns a todos!


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quinta-feira, 25 de agosto de 2011